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segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Todos Pensam de Forma Diferente, e Muitas Vezes Efémera, por Goethe

"Cada indivíduo vê o mundo - e o que este tem de acabado, de regular, de complexo e de perfeito - como se se tratasse apenas de um elemento da Natureza a partir do qual tivesse que constituir um outro mundo, particular, adaptado às suas necessidades. Os homens mais capazes tomam-no sem hesitações e procuram na medida do possível comportar-se de acordo com ele. Há outros que não se conseguem decidir e que ficam parados a olhar para ele. E há ainda os que chegam ao ponto de duvidar da existência do mundo. Se alguém se sentisse tocado por esta verdade fundamental, nunca mais entraria em disputas e passaria a considerar, quer as representações que os outros possam fazer das coisas, quer a sua, como meros fenómenos.


Porque de facto verificamos quase todos os dias que aquilo que um indivíduo consegue pensar com toda a facilidade pode ser impossível de pensar para um outro. E não apenas em relação a questões que tivessem uma qualquer influência no bem estar ou no sofrimento das pessoas, mas também a propósito de assuntos que nos são totalmente indiferentes. "

Johann Wolfgang von Goethe, in 'Máximas e Reflexões'

Fonte: BioTerra

sexta-feira, 23 de junho de 2017

As origens da Festa de S. João

Márcia Marostega- Lembrança da Festa Sanjoanina

As Festas do S. João, no nosso País  mais conhecidas e típicas são as do Porto, em Braga e a Festa da Bugiada, em Sobrado, Valongo e remontam a períodos pré-cristãos.

Estas celebrações  incluem-se num conjunto de comemorações populares de Junho. a nível europeu e internacional, chamadas Festas Juninas centradas no solstício de verão (no hemisfério norte) e de inverno (no hemisfério sul).

De origem europeia, as fogueiras juninas fazem parte da antiga tradição pagã de celebrar o solstício de verão. Assim como a cristianização da árvore pagã "sempre verde", que se tornou a famosa árvore de natal, a fogueira a volta do 24 de junho tornou-se, pouco a pouco, na Idade Média, um atributo da festa de São João Batista, o santo celebrado nesse mesmo dia.

As labaredas das fogueiras acesas em lugares públicos expressam o Sol ("Na noite de S. João, / vou fazer uma fogueira (…)". Popular)

Ainda hoje, a fogueira de São João é o traço comum que une todas as Festas de São João Europeias (da Estónia a Portugal, da Finlândia à França). 
Nalguns Países optam por realizar as Festas Juninas  em 21 de junho, mesmo quando este não é o dia mais longo do ano, outros comemoram em 24 de junho, o dia do solstício no tempo dos romanos. Os antigos romanos também realizavam um festival em honra do deus Summanus em 20 de junho. Na Wicca, os praticantes celebram no dia mais longo e a noite mais curta do ano, que não têm uma data definida, a partir do calendário celta de 13 meses.
Relativamente ao nosso País, depois da romanização, cristianizamos a festividade e celebramos a noite de 23 de Junho, Véspera de São João. 

A noite de S. João do Porto é a maior das tradições guardadas no espírito da cidade e talvez a que tem atraído mais Europeus e turistas de todo o Mundo. Nela existe a identificação de todos os rituais do solstício de Verão, na referência a cultos milenários do Sol, da vegetação ("Não há S. João sem alhos, / alfazema e rosmaninho (…). Popular), do fogo expresso no fogo de artifício que sobe no céu ("Donde vindes S. João, / com capa de estrelinhas?" Popular), na procura de ervas bentas (Todas as ervas são bentas, / em noite de S. João.) e das águas milagrosas, na prática de ver nascer o Sol. Pela madrugada dentro, as pessoas dirigem-se até ao mar e molham os pés, simbolizando os baptismos do São João. 

A celebração  ocorre antes do dia de Nascimento de João Baptista. O Evangelho de Lucas (Lucas 1:36, 56-57) afirma que João nasceu cerca de seis meses antes de Jesus; portanto, a festa de São João Baptista foi fixada em 24 de junho, seis meses antes da Véspera de Natal. Este dia de festa é um dos poucos dias dedicados a santos que celebra o nascimento do homenageado, ao invés de sua morte.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Há três palavras portuguesas que não se conseguem traduzir

Um novo estudo decidiu tentar traduzir as palavras sem tradução e expõe as palavras que, em todo o mundo, não têm interpretação literal. Três dessas palavras são portuguesas - saiba quais são.

Um novo estudo decidiu tentar traduzir as palavras sem tradução – as palavras que, em todo o mundo, não têm tradução literal em mais nenhuma língua. Três são portuguesas e constam na lista. A mais óbvia é saudade, mas existem mais duas.
O estudo foi elaborado por Tim Lomas, da Universidade de Londres, e conta já com um projeto pessoal, o Positive Lexicography Project. O objetivo é tornar familiar aquelas palavras que só são entendidas num certo país e que não têm tradução literal em nenhuma outra língua, mas que transmitem um sentimento específico que, segundo conta a BBC, é negligenciado pelas outras línguas.

Saudade
Esta palavra é, há muito, catalogada como sendo ‘só portuguesa’. Segundo a tradução feita, esta palavra significa um desejo melancólico ou nostálgico por uma pessoa, lugar ou coisas, que estão longe, quer no espaço, quer no tempo. Uma vaga de nostalgia que sonha, por vezes, com fenómenos que podem mesmo nem existir. Assim é a explicação da saudade, para Lomas. Para ilustrar a palavra ‘saudade’, o artigo da BBC fala da fadista Cristina Branco e das suas músicas com o tema do que é sentir-se saudoso a ponto de se morrer de saudade. Tal como tantos outros artistas o fazem.


Desbundar

A expressão é explicada, segundo a BBC, como sendo a forma de perder as inibições e, simplesmente, entrar em modo de diversão.

Desenrascanço
Toda a gente sabe o que é ‘desenrascar-se’ de algo. Pois bem, segundo conta a BBC, é o ato de se desembaraçar engenhosamente de uma situação problemática. Falta é a expressão exata para traduzir.

Além das palavras portuguesas, existem várias outras. Por acaso já se sentiu um pouco mbuki-mvuki? Ou talvez já tenha sentido um pouco kilig, ou até mesmo uitwaaien. O que lhe parece? Confuso? Pois bem, veja alguns exemplos de palavras (e sentimentos) que provavelmente nem sabia que existiam:

Mbuki-mvuki – Esta palavra é do dialeto africano Bantu e significa algo como ter uma vontade irresistível de tirar a roupa enquanto se dança.

Kilig – Termo filipino e tem um significado bastante específico: a sensação nervosa e vibrante que sentimos quando vamos conversar com alguém que gostamos.

Uitwaaien – Esta palavra faz juz ao efeito revitalizante de fazer uma caminhada ao vento e é holandesa.

Shinrin-yoku – Esta palavra é japonesa e significa algo como a sensação relaxante que se tem através de um banho na floresta (literalmente ou de forma figurativa).

Yuan bei – Palavra chinesa que simboliza um sentido de realização completa e perfeita.

Sehnsucht – Palavra alemã que, se traduzirmos de forma literal, fica algo como “desejos de vida”, ou seja, é uma espécie de desejo intenso por estados de espírito alternativos e de realizações pessoais, mesmo que sejam inalcançáveis.

Para descobrir mais exemplos de palavras cheias de significado em mais línguas, mas quase impossíveis de traduzir, visite o estudo aqui.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Cabo Verde- Kola San Jon e o livro "Cultura Proibida, Património Estimado"

O lançamento do livro “ Cultura Proibida, Património Estimado “, versando a riqueza do Kola San Jon, expressão cultural nas ilhas de São Vicente, Santo Antão e São Nicolau (Cabo Verde), decorreu no dia 12 de junho, no auditório da sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
 
Depois do lançamento do livro, o “grupo do Kola San Jon invadiu com o barco, incentivado pelo rufar dos tambores, a Baixa lisboeta, Alfama e Mouraria, inserido nas Festas de Lisboa.

O grupo do Kola San Jon da Associação Cultural Moinho da Juventude festeja, desde 1991, os Santos Populares no Bairro do Alto da Cova da Moura. Em 2013, a festa do Kola San Jon foi reconhecido como Património Cultural Imaterial de Portugal.

Aqui o filme que foi criado no âmbito da candidatura da Festa de Kola San Jon ao Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial .

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Dia Mundial da Criança


A RUA É DAS CRIANÇAS 

"Ninguém sabe andar na rua como as crianças. Para elas é sempre uma novidade, é uma constante festa transpor umbrais. Sair à rua é para elas muito mais do que sair à rua. Vão com o vento. Não vão a nenhum sítio determinado, não se defendem dos olhares das outras pessoas e nem sequer, em dias escuros, a tempestade se reduz, como para a gente crescida, a um obstáculo que se opõe ao guarda-chuva. Abrem-se à aragem. Não projetam sobre as pedras, sobre as árvores, sobre as outras pessoas que passam, cuidados que não têm. Vão com a mãe à loja, mas apesar disso vão sempre muito mais longe. E nem sequer sabem que são a alegria de quem as vê passar e desaparecer." 

Ruy Belo in Homem de Palavra(s) (1970)

Para saberes mais sobre o Dia Mundial da Criança, clica aqui