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sexta-feira, 16 de junho de 2017

Como fazer um bom exame de português? As dicas de três professoras, uma psicóloga e um aluno de 18,8

Vais fazer exame nacional de português e estás nervoso ou nervosa? Então respira fundo e tenta acalmar-te. O Observador falou com três professoras, uma psicóloga e um aluno de 18,8 que te dão dicas.

Se, quando estiveres a ler este artigo, ainda não tiveres ido dormir fica, desde já, a saber que uma boa noite de sono é fundamental para que a prova te corra melhor e que já começam a ser horas de ires para a cama descansar. Se já acordaste e só agora estás a lê-lo, retém algumas dicas que ainda te podem ser úteis para o exame: toma um bom pequeno-almoço, tenta ir calmo para a prova, pensa positivo e sê eficaz na realização do teste, com a ajuda de alguns conselhos que reunimos neste artigo. Senão, ficam já para o próximo, ok?

“Os alunos, que trabalham, claro que estão ansiosos. Mas agora parou. Uma boa noite de sono é essencial. Devem relaxar, tomar um bom pequeno-almoço e ir para a escola tranquilos. E devem pensar que se estão a fazer o exame é porque tiveram notas para estar a fazê-lo. Além do mais o exame está em português e eles falam português e têm capacidades cognitivas para interpretar os textos e as questões”. A mensagem é da professora de português Alice Ribeiro, da Escola Secundária Dr. Joaquim Gomes Ferreira Alves, em Valadares, Vila Nova de Gaia.


“Respirar fundo”. É que o deves fazer mal entres na sala de aula, aconselha a psicóloga Mónica Bento. Além disso, “devem pensar que é só mais uma prova que vai aferir os conhecimentos, e devem ficar tranquilos porque estudaram. E se não correr bem há sempre uma segunda fase. A postura deve ser de serenidade”. E neste processo, os pais têm um papel importante: “Devem ter uma postura de tranquilidade também.”

E se és daqueles alunos inseguros e achas que estudar até à última, ou acordar de manhã mais cedo para rever a matéria, vai ajudar, fica a saber que de pouco ou nada adiantam essas horas de estudo e que podem até ser contraproducentes, avisam as professoras e a psicóloga ouvidas pelo Observador.
Na véspera do exame os alunos devem descansar porque aquilo que deveriam ter feito e estudado já devia ter acontecido antes”, frisa a psicóloga Mónica Bento.
Pedro Miguel Coelho teve a melhor nota, no exame nacional de português, da Escola Secundária Eça de Queirós, na Póvoa de Varzim, em 2015, e só estudou até à hora de almoço do dia antes da prova. “Depende muito de cada um, mas eu acho que o ideal é nem se estudar no dia anterior. Não é por mais três ou menos três horas que vamos saber Os Maias todos”, graceja o aluno, que está a chegar ao fim do 1.º ano do curso de Medicina na Universidade de Coimbra. Conselho?
Não vale a pena estar stressado, o que é preciso é estar concentrado”, garante Pedro M, Coelho
Nervos postos de parte, o que é preciso é teres muita atenção durante a prova e aplicares os conhecimentos adquiridos ao longo dos anos.


Lê com atenção, aposta naquilo que dominas e revê a prova


Um passo de gigante para que a prova te corra bem passa por leres com muita atenção os textos e as perguntas que constam do enunciado,”primeiro uma leitura global e depois uma leitura dirigida”, avisa Maria Júlia Freire, professora de português na Escola Secundária Manuel Cargaleiro, no Fogueteiro, Seixal, que aconselha os alunos a “começarem pelo grupo onde se sintam mais à vontade”, até porque isso lhes dará confiança para completarem o exame.
Aconselho os alunos a começarem pelo grupo onde se sintam mais à vontade”, destaca Maria Júlia Freire, professora de português na Escola Secundária Manuel Cargaleiro, no Seixal.
E se por acaso não estiveres a conseguir responder a uma questão não percas muito tempo. Passa à frente e voltas lá no final, sugere a mesma professora. E é também esse o conselho de Pedro Miguel Coelho: “Se o aluno não estiver a perceber a pergunta deve reler o máximo de vezes possível, sem gastar demasiado tempo. Se vir que já passaram dois minutos e meio ou três devem passar para a pergunta seguinte até porque pode encontrar alguma dica para a resposta anterior. Caso contrário, na revisão, se sobrar tempo, volta lá.”

Controlar o tempo da prova é, aliás, essencial “ainda que o tempo nunca tenha sido, até hoje, um problema no exame de português”, alerta Alice Ribeiro, professora de português na Escola Secundária Dr. Joaquim Gomes Ferreira Alves, em Valadares, Vila Nova de Gaia. E como é que isso se faz? “Olhando para a prova, vendo quantas perguntas tem, que tipo de matéria traz e calculando quanto tempo precisam para responder a cada um dos três grupos.”

É também importante, sublinham ambas as professoras, que sobre tempo no final para reveres a prova. Desta forma poderás verificar se te escapou alguma questão, se está tudo devidamente assinalado ou se cometeste algum erro. Na opinião de Alice Ribeiro só há uma parte da prova em que não se deve mexer.
Eu costumo dizer aos meus alunos que está proibida a revisão da escolha múltipla. Nestas, normalmente, o bom aluno vai fazer asneira. E se não souberem mesmo a resposta, tentem a sorte. Deixar em branco é zero garantido, assim pode ser que tenham sorte”, aconselha a professora Alice Ribeiro.
De resto é “fundamental a estruturação do discurso“, alerta Maria Edviges Ferreira, presidente da Associação de Professores de Português. “Devem ter muita atenção à correção linguística como a acentuação, a pontuação, a ortografia (atenção ao acordo ortográfico) e a sintaxe”, completa Maria Júlia Freire.

E para ajudar às respostas, é importante ires fazendo sublinhados no texto, ou tomares notas, em forma de tópicos, na folha de rascunho.

Alice Ribeiro, que é também corretora de provas, sublinha que “um grande testamento normalmente é um texto caótico em termos de organização. Não é bom”. “Quando olho para o texto do último grupo do exame e vejo um parágrafo único ou dois parágrafos, em termos de estruturação, é logo zero”, garante. Por isso, já sabes: estrutura bem as ideias e usa conectores que permitam criar uma progressão na tua argumentação.

É preciso frisar, avisam os professores com quem o Observador falou, que português é a prova que mais alunos leva a exame. Em 2016 estavam inscritos quase 55 mil alunos internos nesta prova e mais de 75 mil no total (incluindo externos, para melhoria de nota).

E muitos desses alunos são de ciências “e estão frisados em matemática e física e não se esforçam a português. A grande preocupação deles é com a matemática que é a prova específica na maioria dos cursos que pretendem”, justificou Maria Edviges Ferreira, presidente da Associação de Professores de Português.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Vêm aí os exames: Dicas para estudar melhor, segundo a ciência

Com a época de exames à porta, reunimos 17 recomendações de cientistas para um estudo com melhores resultados.
Fonte: Visão, 27/05/17
A época de exames é a pior altura do ano para qualquer estudante. São noites sem dormir, refeições fora de horas e uma sensação horrível de tanto estudar e nada saber. Para prevenir que chegue a este desespero, reunimos 17 dicas aprovadas por cientistas para fazer o seu estudo render. Confira:

Aprenda a mesma coisa de maneiras diferentes

Em 2008, um estudo provou que diversos meios estimulam diferentes partes do cérebro. É mais provável que entenda e interiorize a informação se tiver mais partes do cérebro ativas. Por isso utilize diferentes meios para estudar, hoje leia as suas notas, no outro dia leia o manual, no outro veja apontamentos online, por aí fora.

Estude várias disciplinas no mesmo dia

É mais eficiente estudar diferentes matérias num dia, do que atirar-se de cabeça a apenas uma ou duas. Porquê? Porque, segundo Doug Rohrer, é provável que confunda informação semelhante se estudar muito da mesma disciplina num dia.

Reveja a informação periodicamente

Um estudo de 2008 prova que rever a informação periodicamente é essencial se quiser mover a informação da sua memória a curto prazo para a sua memória a longo prazo. Rever informação também impede que acumule matéria.

Sente-se nos lugares da frente da sala de aula

Estudos mostram que os estudantes que se sentam nos lugares da frente têm tendência a ter melhores notas. Ao escolher estes lugares, vai conseguir ver e ouvir os professores melhor, o que melhorará a sua concentração.

Não faça muitas coisas ao mesmo tempo

Os estudos não enganam: fazer muitas coisas ao mesmo tempo tornam-no menos produtivo e mais distraído. Bons estudantes focam-se numa só coisa ao mesmo tempo. Por isso não tente estudar enquanto vê televisão, responde a mensagens e verifica o que se passa nas redes sociais.

Simplifique e resuma

Está provado que utilizar técnicas mnemónicas aumenta a capacidade de aprender. Por exemplo, se tem que saber uma longa lista de conteúdos, decore as iniciais e construa frases do seu dia-a-dia que o poderão ajudar a assimilar a matéria. Faça também resumos, diagramas e mapas mentais. Estas técnicas permitirão que aprenda a informação muito mais depressa.

Tome notas à mão

Um estudo conduzido por dois professores, um da Universidade de Princeton e outro da Universidade de Los Angeles, prova que utilizar o computador para tomar notas não só aumenta as hipóteses de se distrair, como também torna a aprendizagem muito menos eficaz, mesmo que o utilize só para este fim. Estudantes que tomam notas à mão, processam e reformulam a informação enquanto os estudantes que utilizam o computador escrevem palavra a palavra o que os professores dizem, sem processaram a informação antes.

Anote as suas preocupações

Numa experiência, investigadores da Universidade de Chicago descobriram que estudantes que escrevem os seus pensamentos sobre um exame durante 10 minutos, têm melhores notas do que estudantes que não o fazem. A psicóloga Kitty Klein também provou que exprimir as preocupações do exame, aumenta a memória e a capacidade de aprender.
Para estar menos ansioso em relação a um exame, tire 10 minutos e escreva tudo o que o preocupa sobre a avaliação. Um simples exercício que o ajudará a melhorar as suas notas.

Teste-se a si mesmo periodicamente

Décadas de estudos provaram que testar-se a si mesmo é essencial se quiser aumentar a sua performance académica.
Num estudo, o psicólogo Keith Lyle ensinou o mesmo curso de estatística a dois grupos de estudantes. No primeiro grupo, Lyle pediu aos alunos para completar um teste de 4 a 6 perguntas no fim de cada aula. O teste era baseado na matéria dada em aula. No segundo grupo, o psicólogo não deu nenhum teste aos estudantes. No fim do curso, Lyle descobriu que o primeiro grupo teve melhores notas que o segundo grupo no fim dos exames.

Faça uma ligação entre o que aprendeu com o que já sabe

Os cientistas Henry Roediger III e Mark A. McDaniel explicam que quanto mais associar novos conceitos a conceitos que já conhece e entende, mais facilmente aprende a nova informação. Pode custar um pouco fazer essa conexão, mas o investimento vale a pena.

Leia a informação em voz alta

Estudos mostram que ler a informação em voz alta ajuda os alunos a aprender mais rápido do que se a lerem em voz baixa. Quando lê a informação em voz alta, consegue vê-la e escutá-la e quando a lê em voz baixa, só a consegue ver. Não é muito prático ler toda a informação em voz alta, por isso recomendamos que faça um resumo com as informações-chave.

Faça pausas

Fazer pausas regulares no estudo, melhora a produtividade e ajuda-o a concentrar-se.
Não é boa ideia trancar-se no quarto a estudar horas a fio. Faça pausas de 5 a 10 minutos por cada 40 minutos de estudo. Durante as pausas, tente não utilizar o seu telemóvel ou computador, uma vez que estes impedem o seu cérebro de relaxar totalmente.

Incentive-se a si mesmo

Antes de começar uma sessão de estudo, estabeleça uma recompensa por completar essa sessão. As recompensas podem ser algo simples como comer um chocolate ou tomar um longo banho. Ao fazê-lo irá estudar melhor e aprender mais depressa, mostra um estudo de 2006.

Coma frango e ovos

Uma equipa de investigadores da Universidade de Boston conduziu um estudo em 1400 adultos durante 10 anos e descobriram que os participantes que tinham uma dieta alta em colina, vitamina B, tinham uma melhor performance em testes. A colina é essencial para a formação de novas memórias, e está muito presente em ovos e galinhas.
Se for vegetariano, pode incluir a colina na sua dieta ingerindo os seguintes alimentos: Lentilhas; Sementes de girassol e abóbora; Amêndoas; Couve; Couve-flor; Brócolos

Beba pelo menos 8 copos de água por dia

Não beber a quantidade diária suficiente de água é prejudicial ao cérebro. Investigadores da University of East London descobriram que o poder que o cérebro tem de processar informação decresce quando está desidratado. Outros estudos provam que a desidratação faz com que a massa cinzenta do cérebro encolha. Beba no mínimo 8 copos de água por dia e traga sempre consigo uma garrafa de água. Durante um exame, beba água a cada 40 minutos.

Faça exercício

O exercício físico é bom para o corpo e para o cérebro.
Vários estudos mostram que exercitar melhora a memória e o funcionamento cerebral. Por isso, faça exercício pelo menos três vezes por semana durante 30 a 45 minutos. Estará mais saudável, e lembrar-se-á melhor da informação aprendida.

Durma

Este é o passo mais importante e o mais ignorado pelos estudantes. Estudos provam que se dormir o tempo suficiente, 8 horas diárias, estará mais concentrado, irá aprender mais depressa, e a sua memória melhorará. Também o ajudará a lidar com o stress com mais facilidade. Além disso, a especialista do sono Dan Taylor diz que aprender a matéria mais difícil antes de se deitar faz com que se lembre dela com mais facilidade no dia seguinte.
Não faça noitadas de estudo. Um estudo da psicóloga Pamela Thacher mostra que estudantes que passam noites a estudar têm resultados mais baixos e cometem mais erros por distracção.